A greve dos servidores da Justiça do Trabalho, ontem, atingiu praticamente todas as 90 varas trabalhistas do Fórum da Barra Funda, o maior do gênero no país.

Até anteontem, 25 varas funcionavam em ritmo quase normal. Mas o “Apagão do Judiciário”, convocado para ontem, agravou a situação.

Por volta de 80% dos funcionários pararam, segundo o sindicato. E pelo menos 45 audiências foram canceladas.

“O impacto da greve tem sido muito grande. Várias audiências estão sendo remarcadas apenas para 2013, o que prejudica muito a vida do cliente e os próprios escritórios de advogacia, que vivem das verbas das decisões dos clientes”, afirma a advogada Rosalina de Oliveira.

A advogada diz que sua rotina tem sido uma “maratona”. “Nem sempre é possível saber quais varas estão funcionando, precisamos vir todos os dias”, disse Oliveira.

Apesar dos transtornos, ela defende o direito dos funcionários de fazer a greve.

Pelos corredores do Fórum, advogados reclamavam que não conseguiram nem entrar com seus carros no estacionamento reservado para eles no subsolo.

O movimento de greve também fez manifestações em outros pontos da capital paulista. Houve protestos no Tribunal Regional Eleitoral e no Tribunal da Justiça Federal.

“A preparação das eleições [municipais] de outubro está prejudicada”, afirmou Adilson Rodrigues, diretor do sindicato dos servidores.

A categoria quer um amento de 22,8% referente à inflação dos últimos dois anos mais a variação do PIB.

Haverá outro ato de greve hoje, em São Paulo. A categoria promete fazer uma passeata a partir das 15h pela região da avenida Paulista.

EDUARDO GERAQUE
DE SÃO PAULO