A partir desta quarta-feira, as sacolas plásticas deverão deixar de ser distribuídas gratuitamente nos supermercados de São Paulo. Embora tenham tido dois meses para se adaptar a outras formas de transportar suas compras, os consumidores dão sinais de que ainda preferem a sacolinha. Inicialmente, a embalagem deveria ter sido abolida em janeiro. Devido à polêmica, os mercados assinaram um acordo com o Ministério Público (MP) e o prazo foi prorrogado.

O Jornal da Tarde visitou, nesta segunda-feira, três supermercados nas zonas oeste e norte da capital. Em todos, a maioria dos clientes saía carregando sacolas plásticas. “Não sei por que inventaram essa besteira. Costumo fazer compras uma vez por mês. Imagina quantas sacolas de pano terei de trazer. É inviável”, diz o professor Otávio Casagrande Filho, de 41 anos.

Quem é contra o fim das sacolinhas reclama, ainda, de ter que pagar por algo que sempre foi gratuito. A dificuldade para transportar as compras a pé ou de ônibus em caixas de papelão e a necessidade de comprar sacos de lixo também são lembradas. “Isso pode gerar um problema sanitário”, argumenta Miguel Bahiense, presidente da Plastivida, entidade que representa o setor do plástico.

“A população de baixa renda não tem como comprar sacos de lixo. Onde vão colocar esse lixo?”, questiona Bahiense. Ao defender a extinção da embalagem de plástico, a Associação Paulista de Supermercados (Apas) argumenta que o material demora para se degradar no meio ambiente e que, quando é descartado em local inadequado, pode contribuir para aumentar as enchentes na cidade.

“O pessoal está reclamando porque é uma mudança de costume grande. Mas não é impossível. Sempre ando com uma sacola de pano no carro”, opina a dona de casa Raquel Latorre, de 38 anos.

O fim das sacolinhas foi determinado por acordo entre o governo do Estado e a Apas em maio do ano passado e passou a valer em 25 de janeiro. Reclamações de consumidores e da indústria do plástico levaram a Apas a um novo acordo em 3 de fevereiro, desta vez com o Procon e o MP.

Foi feito um termo de ajustamento de conduta (TAC), no qual os mercados se comprometeram a oferecer, gratuitamente, caixas de papelão ou sacolas plásticas por 60 dias. No período, o Procon fiscalizou 98 estabelecimentos e multou 21 por não entregar as sacolas ou por não informar o consumidor sobre a mudança – os valores das autuações variam segundo o tamanho do mercado e a irregularidade.

TIAGO DANTAS