Bancários de todo o país e metalúrgicos do ABC paulista prometem entrar em greve nesta terça-feira, por tempo indeterminado, reivindicando reajustes acima da inflação. Os metalúrgicos, que pedem aumento de 8%, esperam que 46 mil dos 105 mil trabalhadores da base cruzem os braços. Já os bancários, que pedem um ajuste de 10,25%, esperam que o movimento grevista tenha uma adesão semelhante à do ano passado, quando 10 mil dos 18 mil pontos de trabalho, entre agências e prédios administrativos, paralisaram suas atividades.

De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), dos 127 sindicatos filiados à Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo de Finanças (Contraf-CUT), 122 aprovaram a greve a partir desta segunda-feira, incluindo os do Rio, Niterói e São Paulo. Além do reajuste acima da inflação, a categoria reivindica piso salarial de R$ 2.416,38 e participação sobre lucro de R$ 4.961,25.

— Desde o dia 5 enviamos uma carta à Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) dizendo que este era o nosso calendário. Como a Fenaban sequer respondeu, foi deflagrada a greve — afirmou Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT.

A Fenaban informou que depois de ter apresentado a contra-proposta de reajuste de 6% aos trabalhadores, no início do mês, esperava que os trabalhadores indicassem quais pontos estavam em desacordo, para que pudessem levar as reivindicações aos bancos.

— Esperávamos que eles dissessem o que estava faltando na proposta. Estamos à disposição para continuar as negociações para a convenção coletiva que definitivamente é a melhor do país — disse o diretor de negociações trabalhistas da Fenaban, Magnus Apostólico.

Cordeiro diz que os bancos têm condições de oferecer reajustes melhores que o de outros setores. Segundo ele, os executivos dos bancos estão recebendo aumentos da receita distribuída, de até 9,7% no mesmo período, o que indica que as instituições estariam capitalizadas.

— Outros setores tiveram reajustes reais de até 5% neste ano, de acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócioeconômicos). Por que o setor bancário, que tem os maiores lucros, não pode dar aumentos maiores? — indaga Cordeiro.

Já no ABC paulista, entram nesta terça-feira em greve os metalúrgicos das empresas que ainda não atenderam a principal reivindicação da categoria: aumento de 8%. Isso significa que cerca de 46 mil dos 70 mil trabalhadores da base em campanha salarial devem cruzar os braços. Os 35 mil trabalhadores nas montadoras não participam da campanha neste ano porque, em 2011, fecharam acordo válido por dois anos e que equivale aos 8% reivindicados em 2012.

Paulo Justus